14/09/08

Devaneios (4)

Apetece-me gritar, apetece-me fugir, apetece-me ter alguém que possa simplesmente abraçar e que retribua o meu abraço sem qualquer tipo de perguntas. Quero ficar assim, até não ter mais forças nos braços e cair para o lado de cansaço.

Quero adormecer sem nada me pesar na consciência. Quero arriscar fazer isso, mas o medo (mais uma vez o estúpido do medo) não me deixa agir. Não quero dar parte de fraca, mas é isso mesmo que estou a ser e sou porque não faço o que quero.

Não estou em condições de estar sozinha, preciso da atenção dos amigos para conseguir dispersar esta nuvem negra que insiste em permanecer sobre a minha cabeça. Estou cada vez mais isolada e cada vez mais carente, mas também não consigo deixar ninguém aproximar-se o suficiente de mim para combater a minha solidão.

Estou sem paciência para mim. De momento não me consigo identificar com a imagem que o espelho reflecte e quando faço uma viagem ao interior do que vejo tudo ainda se complica mais. Quero ver mudanças na minha vida. Quero ter a minha cabeça um bocadinho mais ordenada e descansada para o meu corpo também ter o mesmo.

De quando em vez dou-me conta de que estou a representar para os outros, para lhes transmitir uma imagem de bem-estar geral, e quando isso acontece parece que a minha mente se liberta do meu corpo e põe-se a assistir a todo este degradante espectáculo da primeira fila da plateia.

Esta sensação é estranha. Sinto perfeitamente que estou a construir mentiras atrás de mentiras para mostrar alguém que não sou.

Chego ao fim do dia exausta e a noite não é nada reconfortante, porque só serve para me auto-reprimir por estar a agir mal perante os outros e, pior ainda, perante mim.



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